• publicado em 24.08.2011
  • Brasil Móveis e a dinâmica política
  • Nova feira em São Paulo dá um passo em direção aos objetivos de defesa comercial do setor

     “Hoje é dia de superação para os expositores. Hoje à noite, vocês podem deitar a cabeça no travesseiro e descansar sabendo que não foram omissos". Tal declaração foi feita durante a cerimônia de abertura da primeira Brasil Móveis (realizada entre os dias 09 e 12 de agosto) por Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Mobiliário do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), entidade realizadora do evento.

    As palavras referem-se a um delicado momento que o setor produtivo nacional atravessa: desaquecimento industrial interno e o crescente risco de uma nova crise econômica mundial por conta de excessivos endividamentos norte-americano e europeu.

     Nasce neste cenário de incertezas a Brasil Móveis, evento que substitui o Salão Abimóvel (realizado em 2009) e, segundo seus organizadores, promete se tornar a feira de referência do segmento moveleiro em São Paulo capital, o epicentro econômico do País, no Parque de Exposições Anhembi.

    O pronunciamento de Cansan também sugere uma provocação aos fabricantes brasileiros de móveis. Diante de desafios mercadológicos, originados tanto na esfera empresarial quanto na estatal, as companhias do setor precisam fortalecer seus laços de união para que possam pressionar efetivamente autoridades políticas e concretizar seus interesses de mercado.

    Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez, as empresas precisam estar mais atentas aos movimentos políticos e econômicos do País e do exterior. "Reclamar mais, reivindicar mais. Se associar aos sindicatos e procurá-los já é um grande passo. Só assim ganharemos força política para que as nossas solicitações ganhem projeção junto ao governo", observou.

    Compartilha da mesma visão Maristela Longhi, da diretoria da Movergs, para quem a união deve acontecer com mais frequência, não apenas em períodos de dificuldades. "O associativismo é uma ferramenta. Precisamos usá-la mais ao nosso favor", pontuou.

    Plano Brasil Maior

    Um dos temas centrais da feira foi o Plano Brasil Maior, lançado oficialmente em 2 de agosto deste ano em Brasília. A presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória que elimina imposto de 20% sobre INSS e aplica de nova taxa de 1,5% sobre faturamento bruto nos setores de móveis, softwares, têxtil e calçadista prevendo desonerá-los.

     A lei não agradou a todos os moveleiros, já que muitos deles investem sobretudo em tecnologia e maquinário em vez de mão-de-obra. Durante a feira representantes da Abimóvel, Movergs, entidades sindicais e o deputado federal Renato Molling, presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Setores Moveleiro e Coureiro-Calçadista, reuniram-se e se comprometeram em elaborar uma avaliação oficial sobre como as medidas da nova política industriam prejudicam ou beneficiam as empresas moveleiras.

    "Ficamos contentes pelo setor moveleiro ter sido lembrado pelo poder federal. Mas observamos que faltaram informações sobre como funcionam as empresas deste segmento, o que pode nos prejudicar", disse Cansan. Na explicação de Diaz Fernandez a falta de tempo "complicou" o andamento das negociações junto aos ministérios para que o setor de mobiliário fosse agraciado com um plano "melhor". "Os segmentos de calçados, têxtil e de softwares já tinham aprovado a proposta. Decidimos aprovar também para que os moveleiros não ficassem de fora", disse o presidente da Abimóvel.

    "Tentaremos emplacar algumas emendas nas medidas provisórias assinadas pela presidente Dilma a respeito da desoneração destinada aos moveleiros e calçadistas. O que aconteceu foi que faltaram algumas informações essenciais para que o governo elaborasse melhor um plano de suporte ao setor. Algumas empresas investiram muito em tecnologia, outras terceirizaram serviços, por isso muitas delas não sentirão efeitos positivos da eliminação de imposto sobre INSS", comentou Renato Molling.

    Tais propostas já foram enviadas para avaliação interna da Câmara e uma delas prevê que a desoneração seja optativa, ao contrário da atualmente obrigatória, o que deixaria as empresas livres para escolherem o mais adequado aos seus objetivos.

    Fonte: Emobile