• publicado em 18.07.2011
  • Indústria moveleira
  • É pouco beneficiada pela Logística Reversa
  • Política Nacional de Resíduos Sólidos orienta o descarte de todo o ciclo produtivo do setor

    A destinação dos resíduos gerados durante todo o ciclo produtivo de um objeto é de responsabilidade compartilhada entre órgãos públicos, fabricantes e sociedade em geral, de acordo com a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Nº 12.305, publicada em agosto de 2010.

    Apesar de não determinar a implantação da Logística Reversa na indústria moveleira, que daria aos fabricantes a responsabilidade do recolhimento e reaproveitamento dos resíduos gerados durante a fabricação e consumo, a determinação estipula orientações para o destino dos resíduos. No entanto, sem a obrigação, a maioria das empresas moveleiras do País não programam o retorno e reutilização do produto descartado pelo consumidor.

    De acordo com o Departamento de Qualidade na Indústria, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a nova Lei orienta as diferentes esferas sobre a cadeia ideal de destinação de resíduos, que segue a seguinte hierarquia de manejo:

    -Não geração [evitar o desperdício no espaço interno da empresa]
    -Redução
    -Reutilização
    -Reciclagem
    -Tratamento

    A partir disso, a disposição final, em aterros sanitários adequados, só deve ser utilizada em casos em que não é possível cumprir as orientações do MMA. No entanto, sem a exigência Legal, existem falhas quanto à fiscalização de indústrias que descumprem as orientações do Ministério.

    Para o doutor em Engenharia de Produção, Edelvino Razzolini Filho, a adequação das empresas em relação à Logística Reversa é uma questão de tempo. "As empresas que forem mais rápidas terão maior vantagem competitiva sobre as que demorarem a implementar o gerenciamento do fluxo reverso, vantagem que pode ser traduzida em custos menores e melhora no serviço ao consumidor."

    O receio do custo do processo é a maior causa da resistência de empresários da indústria moveleira, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (IBDS), Carlos Renato Garcez do Nascimento. "Na verdade, a Logística Reversa diminui os custos de produção, já que reutiliza os materiais que seriam descartados."

    Para ele, o custo inicial é revertido na diminuição de gastos durante o processo reverso. Além disso, o presidente do IBDS explica que, por conta da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, a preocupação com a destinação do material de descarte, próprio da Logística Reversa, passa a ser uma obrigação legal. "Quando existirem agentes suficientes para fiscalização em todo o país, serão geradas multas ambientais altas", acredita.

    Fonte: Emobile