• publicado em 11.07.2011
  • Duratex acredita em:
  • Bons ventos para o setor de painéis de madeira
  • Leia entrevista com o diretor-executivo comercial de madeira da empresa

    Mesmo diante da redução da expectativa de crescimento para 2011, o diretor executivo comercial de madeira da Duratex, Alexandre Coelho, diz que o ano será favorável para o setor de painéis de madeira. Coelho destaca que há uma demanda reprimida, impulsionada principalmente pelo boom imobiliário e pelo aumento da renda média do consumidor. Em entrevista concedida durante o anúncio da nova fábrica de MDF em Itapetininga (SP), o diretor defende uma reforma tributária no país e fala sobre os principais gargalos do setor.

    Móbile: O que a Duratex tem trazido de novo das feiras internacionais?

    Coelho: Há aproximadamente 15 anos nós temos o costume de pesquisar no mínimo duas feiras internacionais. Nós costumamos ir aos Estados Unidos, a Alemanha – com a Ligna e a Interzum - e vamos também anualmente a Milão, que é onde surgem muitas tendências para o mobiliário. O que a gente percebe é que, no passado, a distância entre o que era lançado lá e depois no Brasil era de dois ou três anos. Hoje temos um descompasso de meses e, em alguns casos, estamos lançando junto com o que está aparecendo nas feiras internacionais. Já podemos dizer que os produtos do Brasil estão totalmente alinhados com as feiras que saíram este ano, desde padrões e texturas à tecnologia de produtos.

    Móbile: A Duratex vai lançar uma segunda fábrica em um local a ser definido. Quais são as opções?

    Não temos esse local, porque esses trabalhos de parceria público-privada são cada vez mais presentes nos investimentos e a Duratex, por obrigação, tem que buscar as melhores alternativas. Então nós estamos analisando diversas possibilidades que juntem localização geográfica, parcerias público-privadas, proximidade a mercados consumidores e disponibilidade de florestas. São muitas variáveis em jogo.

    Móbile: Um dos pontos muitos discutidos durante o evento foi a falta de mão de obra qualificada. Este é um problema que tem preocupado o setor?

    Coelho: Sim, especialmente o setor moveleiro. A gente tem escutado muito isso nos principais polos. Nós temos 14 unidades e algumas delas estão sofrendo bastante com a reposição de mão de obra, especialmente no Nordeste - nós temos uma unidade Paraíba e outra em Pernambuco. Também há alguma dificuldade em São Paulo, mas a região de Itapetininga é bem provida, temos um histórico grande de formação de mão de obra. Então, neste projeto, nós estamos preparados para atender a necessidade de mão de obra, mas a falta de capacitação é uma realidade no Brasil. Eu fico feliz de escutar a preocupação dos políticos sobre o assunto, porque não vamos conseguir um crescimento sustentado se não tivermos mão de obra capacitada.

    Móbile: Esse projeto de R$ 1,2 bilhão da Duratex prevê investimentos além das duas fábricas?

    Coelho: Esse investimento que foi anunciado em abril contempla principalmente as duas unidades fabris, essa que estamos anunciando hoje e a próxima que ainda estamos estudando a localização. Os outros projetos se referem a outros equipamentos complementares, mas basicamente são essas duas unidades.

    Móbile: Quais são as demandas do setor para o Governo do Estado?

    Coelho: Os pontos principais para o desenvolvimento de um projeto como esse passam por formação de mão de obra, infraestrutura adequada – e o governador acabou de anunciar a duplicação de algumas rodovias que fazem a ligação com Itapetininga –, estrutura aeroportuária, desoneração da carga tributária e das despesas alfandegárias. O custo Brasil ainda é muito alto para se competir a nível mundial. Basicamente estamos falando de mão de obra, de infraestrutura e de carga tributária para que o país possa se tornar mais competitivo.

    Fonte: Emobile