• publicado em 18.03.2011
  • Tombini vê País crescendo menos de 4,5%
  • Em conversa com senadores, presidente do BC avaliou também que dificilmente inflação ficará no centro da meta em 2011.

     

    A economia brasileira deverá crescer menos do que os 4,5% atualmente previstos pelo Banco Central, segundo avaliou o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, em reunião com senadores que fazem parte da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A informação foi confirmada ao "Estado" por três fontes presentes ao encontro.

    De acordo com essas fontes, Tombini não informou qual seria exatamente a nova projeção de crescimento para 2011, indicando que ela deverá estar no relatório de inflação do primeiro trimestre, que sai no fim do mês.

    De acordo com uma das fontes, Tombini avaliou que o menor ritmo de crescimento do País ajudará na tarefa de combater a inflação e levá-la para a meta. Mesmo assim, segundo outras fontes, ele admitiu que dificilmente a inflação deste ano ficará no centro da meta (4,5%), embora tenha afirmado que isso acontecerá em 2012.

    De qualquer forma, o presidente do BC transmitiu aos parlamentares a mensagem de que a autoridade monetária buscará deixar a inflação no nível mais baixo possível para este ano. "A gente não jogou a toalha. Vamos tentar o mais baixo possível dentro do sistema de metas", disse Tombini, segundo uma fonte.

    A avaliação feita aos parlamentares foi de que a inflação deste ano tem influência da alta das commodities, da inércia inflacionária de 2010, mas também de itens mais ligados à atividade econômica, como o setor de serviços.

    Tombini também deu indicações aos senadores de que nova rodada de medidas macroprudenciais poderá ser adotada nesse esforço de enfrentamento da alta nos preços, mensagem que já havia sido dada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

    Febraban. À noite, em São Paulo, em solenidade de posse do novo presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, Tombini ressaltou que o recente terremoto no Japão provocou grande dose de incertezas no mercado internacional. Segundo ele, no curto prazo, pode até ocorrer certo movimento de repatriação de recursos para aquele país, com o objetivo de ajudar na reconstrução das áreas destruídas. Mas tal fato, se ocorrer, segundo ele, não deve trazer impactos significativos ao Brasil.

    O presidente do BC destacou que as incertezas que hoje existem na economia global não devem dar espaço para a passividade da autoridade monetária. Assim, exigem um processo de análise mais profundo com o objetivo de tomar decisões importantes de forma precisa.

    Para Murilo Portugal, um dos motivos que causam incerteza para a retomada da expansão firme da economia mundial é "o choque dos preços de commodities". Esse fenômeno, segundo ele, está causando pressões inflacionárias a países emergentes.

    Fonte: Estadão