• publicado em 04.03.2011
  • Diretor do FMI pede ao Brasil
  • Que economia cresça mais devagar
  • No dia em que foi anunciado um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 7,5%, a presidente da República, Dilma Rousseff, e o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, conversaram sobre os riscos do superaquecimento da economia e a necessidade de crescimento "lento e estável" dos países.

    "É chegado o momento de desacelerar a economia", afirmou Strauss-Kahn sobre o Brasil após o encontro.

    O diretor do FMI foi recebido no Palácio do Planalto. Além da presidente, participou da audiência o ministro Guido Mantega (Fazenda).

    Strauss Kahn afirmou que ele e a presidente concordam que "crescimento por si só não é o bastante". Ele elogiou os programas sociais do governo brasileiro --citou o Bolsa Família-- e, principalmente, a recente decisão de corte de gastos. Segundo ele, os cortes são "muito bem-vindos".

    O executivo anunciou mudanças aprovadas no Fundo para um "rebalanceamento" de poder, o que abriria mais espaço para a participação do Brasil. Segundo ele, o país é um dos dez maiores acionistas do FMI.

    Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,675 trilhões em 2010.

    Para o ministro Guido Mantega (Fazenda), o crescimento de 7,5% não sinaliza um superaquecimento da economia --segundo ele, os dados mostram que já há um desaquecimento no último trimestre.

    RANKING

    Guido disse que, segundo dados preliminares, a economia brasileira ultrapassou a da França e do Reino Unido em paridade de poder de compra e é agora a 7ª maior economia mundial.

    Dois anos atrás, o país estava atrás de Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha, Rússia, Reino Unido e França, nesta ordem, segundo rannking do Banco Mundial. As projeções preliminares citadas por Mantega ainda não foram confirmadas pelo Banco Mundial.

    Entre os países do G20, o índice de crescimento do PIB brasileiro foi o quinto maior, ficando atrás de China, Índia, Argentina e Turquia.

    "Isso mostra a capacidade produtiva da economia brasileira, o potencial que vem sendo realizado nesses últimos anos. Mostramos nossa capacidade de crescer cada vez mais", afirmou.

    O ministro disse ainda que o crescimento significativo do investimento mostra a qualidade do crescimento brasileiro, já que está havendo expansão na capacidade produtiva brasileira.

    O investimento no país teve boa recuperação ao longo de 2010, mas ainda não retomou o nível pré-crise, observado em 2008.

    Naquele ano, a taxa de investimento foi de 19,1%. No ano passado, representou 18,4% do PIB, segundo o IBGE. Em 2009, a taxa de investimento do país não passou de 16,9%.

    HISTÓRICO

    O percentual de crescimento do PIB é o maior desde 1986, quando houve a mesma alta. No entanto, a metodologia da série foi modificada em 1996.

    Em 2009, o PIB havia apresentado retração de 0,6% --a primeira na atividade econômica desde 1992.

    Com o crescimento mais arrefecido na parte final do ano, o PIB subiu 0,7% no quarto trimestre de 2010, em relação aos três meses imediatamente anteriores. Na comparação com o período de outubro a dezembro de 2009, a economia registrou alta de 5,0%.

    Fonte: Folha