• publicado em 04.02.2011
  • Produção industrial de dezembro
  • É decepcionante, segundo a avalição o economista da Gradual
  • Avaliação é do economista da Gradual, André Guilherme Perfeito, que não esperava a queda de 0,7% registrada pelo indicador 

     

    O resultado da produção industrial de dezembro foi "simplesmente decepcionante", na avaliação do economista da Gradual André Guilherme Perfeito. "Após quedas consecutivas no índice, esperávamos que houvesse algum tipo de reação na produção uma vez que indicadores coincidentes sugeriam uma atividade mais robusta", afirmou o economista. Não foi o caso e a atividade fabril recuou 0,7% em dezembro na comparação com novembro, segundo divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Na avaliação de Perfeito, o resultado é efetivamente muito ruim, com um índice de difusão relevante. "Sob a ótica das Categorias de Uso, todas tiveram quedas mensais, com exceção de Bens Intermediários que permaneceram estáveis", informou o economista. Em 2010, o índice de difusão da produção industrial acumulou alta de 75%, a mais elevada da série histórica deste indicador, que passou a ser divulgado e calculado a partir de 2003, conforme informou hoje o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo.

    Perfeito lembrou que ontem foi divulgado o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), divulgado pelo Banco HSBC Bank Brasil, que apresentou avanço, ficando acima da linha de corte de 50 pontos, o que indica melhora na atividade. "O resultado de janeiro ficou em 53,1 pontos, mas o mais importante é que o PMI de dezembro havia avançado para 52,4 pontos contra 49,9 pontos de novembro", disse. De acordo com Perfeito, a primeira análise dos dados ainda não indicou as causas desta desaceleração tão forte na atividade, lembrando que a maioria dos analistas do mercado também não previam esse movimento. "Projetávamos 0,7% de alta, e a mediana das projeções estava em 0,9%. Nenhum economista projetou retração", observa o analista da Gradual.

    "Vai haver especulação sobre as causas deste movimento nos próximos dias e desconfio que vai surgir força para argumentações em favor do controle mais severo do câmbio, uma vez que a competição com importados turbinados pelo real forte podem explicar em parte este movimento. De fato algo preocupante está se estabelecendo no tecido econômico brasileiro. As vendas no varejo continuam avançando a passos largos, enquanto a indústria - após recuperação relevante em relação ao pior da crise - se acomodou e até retrocedeu", analisou Perfeito.

    Para o economista, o descompasso entre atividade industrial e vendas no varejo tem consequências importantes e fará o governo agir para tentar mitigar esta distorção. "É provável que medidas alternativas de política monetária, entre este aumento do compulsório ao invés de alta nos juros, ganhem força", sugere Perfeito.

    Fonte: Estadão