• publicado em 26.01.2011
  • Seis em cada dez famílias brasileiras
  • Têm dívidas em comum, diz pesquisa
  • Mais da metade das famílias que participaram da pesquisa, quase 60%, disseram que estão endividadas. Como eles se enrolaram assim?

    Fiel escudeiro do brasileiro, o Código de Defesa do Consumidor vai ser reformado. Vem aí um código mais preocupado ainda com o bolso das pessoas e, principalmente com o bolso dos endividados. É muita gente: 60% das famílias ouvidas por uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio responderam que estão endividadas.

    E o pior: essa mesma pesquisa mostrou que 8% dos entrevistados vão fechar janeiro sem ter condições de pagar suas dívidas. Estão superendividados. Quem defende mudanças no código diz que os contratos de crédito devem ser mais transparentes e que os consumidores precisam mesmo entendê-los.

    Com gastos extras no fim do ano e com as férias, se não cuidar direito das contas o fim dessa história já se sabe como é. “Estou gastando mais do que ganha e me embaraçando toda”, diz uma senhora. Daí para virar rotina é um pulo. “Eu sou endividado”, admite um senhor.

    Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio quis saber como andam as finanças do consumidor. Ouviu 17,8 mil famílias. Ao todo, 22% disseram que têm contas atrasadas e 7,9% não terão como pagar o que devem. Mais da metade das famílias que participaram da pesquisa, quase 60%, disseram que estão endividadas. Como eles se enrolaram assim?

    “Geralmente a gente faz uma dívida pequena aqui, outra dívida pequena lá. Só que quando chega ao final do mês, se a gente não anotar nada, fica bagunçado. Chega ao final do mês e a gente não tem mais controle da dívida”, comenta o garçom Washington de Souza.

    O consultor de finanças pessoais Rogério Olegário sabe bem como é isso. Ele diz que tudo começa com o cheque especial. “A primeira ferramenta do endividamento é o cheque especial. A pessoa abre uma conta no banco e já ganha como ‘benefício’, digamos assim, o cheque especial. Isso acaba virando um adendo ao seu salário”, explica Rogério Olegário.

    Quando se percebe o tamanho do rombo pode ser difícil sair dele. “Eu me enrolei uma vez e demorei dois anos e meio para poder pagar essa dívida”, disse um senhor.

    Quem entende do assunto, como o consultor financeiro Rogério Olegário, alerta: “O problema não é quanto você ganha. É como você usa o seu dinheiro e o que você faz com ele. Eu tenho na minha lista de clientes pessoas com salários altos, de R$ 50 mil, pessoas com salário de R$ 5 mil de salário. Já atendi até pessoas com R$ 500 de salário, e todas com o mesmo problema: a falta de educação financeira”.

    O Código de Defesa do Consumidor vai ser reformado depois de 20 anos. Uma das propostas é exigir que o cliente seja mais bem esclarecido sobre o que vai pagar pelo crédito tomado. Outra ideia é ajudar os endividados na hora de negociar o pagamento da dívida.

    “Os bons pagadores se prejudicam quando o número de maus pagadores e maus pagadores que não são estritamente falando caloteiros, mas que perderam o controle das suas finanças, o preço do crédito aumenta e toda a sociedade, inclusive os bons consumidores, acaba pagando um custo maior pelo dinheiro”, afirma o ministro do STJ, Herman Benjamin, que também é presidente comissão de reforma do Código do Consumidor.

    O ministro Herman Benjamin coordena o trabalho de revisão do código. Uma das propostas aumenta o poder dos Procons para que eles possam, por exemplo, garantir acordos de renegociação de dívidas entre clientes e empresas. Agora o ideal mesmo é evitar o endividamento e pensar muito antes de gastar.

    Fonte: G1