• publicado em 01.12.2010
  • Fiesp prevê crescimento de 5%
  • Na atividade da indústria paulista em 2011
  • A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) prevê uma desaceleração no ritmo de crescimento da indústria no próximo ano. De acordo com o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Paulo Francini, o nível de atividade no setor deve crescer cerca de 5% em 2011.

    A indústria no Estado de São Paulo deve fechar este ano com alta de 10% em relação a 2009. Segundo a Fiesp, o indicador que mede o nível de atividade praticamente voltou ao patamar registrado no período pré-crise, de setembro de 2008.

    De acordo com Francini, o crescimento de 5% no ano que vem dependerá do avanço das importações, das medidas que o próximo governo irá adotar para o problema e o comportamento do cenário externo.

    A indústria brasileira defende mudanças na economia para combater a forte entrada de produtos estrangeiros no Brasil. Os importados se aproveitam da valorização do real em relação ao dólar, num movimento mundial de desvalorização artificial para favorecer exportações. O setor brasileiro classificou o processo de desindustrialização.

    Francini rebate a afirmação de falta de investimentos para tornar a indústria mais competitiva. Ele lembra que a subvalorização do iuan chinês chega a 40%, ao mesmo tempo que a valorização do real é de 40%.

    Apesar disso, ele mostra otimismo sobre a intenção da próxima equipe econômica de promover ajustes que podem garantir impacto positivo no câmbio.

    "O que eu escutei da nova equipe econômica, eu gostei", apontou. O diretor se refere ao anúncio da nova equipe econômica de aumentar a contenção de gastos públicos no próximo mandato, dando espaço para uma redução na taxa básica de juros. Isso ajudaria a conter a valorização da moeda porque tornaria o país menos atraente ao capital estrangeiro.

    BUY BRAZIL

    No comentário sobre competição externa, o diretor descartou a adoção por parte dos empresários de um movimento de contratação de serviços nacionais entre parceiros da indústria para fortalecer a produção do país.

    "A racionalidade que está por trás das importações é uma racionalidade econômica. Por isso, (os empresários) não vão adotar um Buy Brazil", afirmou o diretor em referência à medida governamental americana que privilegia compras nacionais no consumo do setor público.

    O governo brasileiro adotou recentemente uma medida de privilégio nacional nas compras públicas. A Medida Provisória 495 dá preferência aos produtos brasileiros que sejam até 25% mais caros do que concorrentes estrangeiros.

    Francini reitera a posição quando fala de investimentos. "Ninguém investe por patriotismo. Se investe por interesse de reprodução do valor investido. Não adianta dizer: invista onde você vai perder dinheiro".

    Fonte: Folha