• publicado em 29.11.2010
  • Sebrae estimula indústria de móveis
  • Acesso à tecnologia, cursos para operários
  • Iniciativas como possibilitar o acesso à tecnologia, cursos para operários e facilitar a obtenção de empréstimos beneficiam as empresas do ramo.

    A indústria moveleira no Mato Grosso. Só em Cuiabá, mais de 400 empresas trabalham na produção de móveis. E o desafio de cada uma é buscar num modelo diferenciado de produção e vendas para faturar mais. A indústria de móveis é a quinta economia do Mato Grosso. O Sebrae reuniu 165 pequenos negócios num Arranjo Produtivo Local, APL.

    “A gente busca que as empresas tenham acesso às novas tecnologias, acesso aos novos mercados, prá atender um mercado cada vez mais exigente”, afirmou José Valdir Santiago Jr, do Sebrae do MT.

    Os participantes do projeto faturam R$16 milhões por mês. E crescem cada vez mais investindo em inovação. Uma das empresas montou lojas que vendem exclusivamente o que ela produz. Até aí, nenhuma novidade. A diferença é que os móveis são fabricados aqui mesmo em Cuiabá. E não no Sul do país, como fazem os concorrentes. Assim, o prazo de entrega cai pela metade.

    A economia com o frete diminui os preços. Bom para o cliente, ótimo para a fábrica. O empresário Diego Barboza de Oliveira acredita que essas vantagens geram consumidores fiéis à marca.

    “Quando você está dentro do estado, o cliente acaba tendo uma confiança maior na entrega, em qualquer tipo de problema que possa haver no produto. Ele está acompanhando, ele pode visitar a fábrica a qualquer momento”, contou o empresário Diego Barboza de Oliveira.

    A fábrica tem nove funcionários e usa 600 metros cúbicos de MDF por mês. Aqui são feitos escritórios completos e móveis para todos os cômodos de uma casa. Com a participação no APL, o empresário economiza tempo em pesquisa.

    “O Sebrae acaba trazendo prá gente informações do que a gente vai produzir. Eu produzo móveis, então ele me traz lista de fornecedores de MDF, parafusos e todos os meus insumos. Isso acaba diminuindo o meu tempo de produção”, comentou Diego Barboza de Oliveira.

    O Sebrae oferece cursos para os operários. Os participantes do projeto também fazem negócios em conjunto. A fábrica de móveis compra portas e dobradiças de outras empresas que estão no APL.

    “Várias empresas do APL de móveis são nossas fornecedoras. Assim como nós fornecemos para empresas maiores. Além disso, quando o negócio demanda uma produção muito alta, a gente faz parceria entre duas ou três empresas para produzir e entregar esse negócio”, completou Diego Barboza de Oliveira.

    Os móveis são vendidos em duas lojas exclusivas. Uma delas fica aqui em Cuiabá. Ela foi comprada pelo empresário Felipe Dorileo, com investimento de R$150 mil. Numa área de 100 metros quadrados foi montado um showroom completo. E a troca da linha de produtos é feita uma vez por ano.

    “Cuiabá tem um crescimento na construção civil gigantesco. E não existe construção civil sem móveis dentro”, disse o empresário Felipe Dorileo Louzich.

    A loja atinge com facilidade a meta mensal de faturamento. A empresa escolheu 12 cidades estratégicas no estado para abrir pontos de venda nos próximos cinco anos. A estimativa é que as lojas aumentem o faturamento da fábrica em 360%. Para alcançar essa meta, Diego Oliveira acaba de investir R$800 mil. O dinheiro está sendo usado para construir uma nova fábrica, no distrito industrial de Cuiabá.

    “A gente já está fazendo o nosso novo pavilhão de 1400 metros quadrados, para aumentar o nosso estoque de matéria-prima, para mudança de máquinas, aonde ocupam mais espaço. De sete colaboradores, a gente vai passar para 15 colaboradores. Enfim, todo um investimento novo que a gente está fazendo aqui para atender a região centro-oeste neste negócio de móveis planejados”, afirma Diego Barboza de Oliveira.

    O Sebrae desenvolve ações que facilitam o acesso à empréstimos para investimentos como este. O APL também conseguiu um benefício fiscal. As empresas que participam do projeto pagam ICMS de 7% a 10%, quase a metade da alíquota real.

    “A nossa meta é que até dezembro de 2012 a gente consiga um aumento médio do faturamento médio dessas empresas em torno de 40%”, conta José Valdir Santiago Jr.

    Aqui em Cuiabá, os fabricantes de móveis investem em tecnologia e mão de obra.

     

    Fonte: Globo.com