• publicado em 03.11.2010
  • Superávit da balança recua 35%
  • Com importações em alta, superávit da balança recua em outubro
  • Com o forte crescimento das importações em 2010, o superávit da balança comercial brasileira (compras do exterior menos exportações) somou US$ 14,62 bilhões de janeiro a outubro, com queda de 35% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 22,49 bilhões), segundo números divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

    O dólar barato e o crescimento do emprego e da renda, junto com a elevação dos investimentos, segundo economistas, são o combustível para o forte crescimento das importações neste ano. Com o dólar em um nível considerado baixo, as compras do exterior ficam mais baratas, enquanto as exportações brasileiras se tornam mais caras.

    Números do governo mostram que as compras do exterior avançam, em 2010, a um ritmo bem mais forte do que as exportações brasileiras. De janeiro a outubro, as importações somaram US$ 148,68 bilhões, ou US$ 714,8 milhões por dia útil. Já as vendas ao exterior totalizaram US$ 163,31 bilhões no acumulado deste ano, o equivalente a US$ 785 milhões por dia útil. Em 2010, as importações subiram 43,8%, e as exportações avançaram 29,7%.

    Mês de outubro
    Em setembro, influenciadas pelas compras do exterior para o Natal, as importações bateram recorde histórico ao somarem US$ 17,74 bilhões, ou US$ 840 milhões por dia útil. No mês passado, por sua vez, as compras do exterior totalizaram US$ 16,52 bilhões, com média diária de US$ 826 milhões. Esse é o segundo maior valor para este ano, perdendo apenas para o recorde registrado em setembro.

    Ao mesmo tempo, as exportações totalizaram US$ 18,38 bilhões em outubro, com média diária de US$ 919 milhões por dia útil. Este é o maior valor não somente deste ano, mas também desde agosto de 2008, quando totalizaram US$ 19,74 bilhões, ou US$ 940 milhões por dia útil. Com isso, o saldo comercial do mês passado ficou positivo em US$ 1,85 bilhão, com elevação de 40% frente ao mesmo mês do ano passado (US$ 1,31 bilhão de saldo positivo).

    Impacto nas contas externas
    A balança comercial está dentro das contas externas brasileiras, que registraram forte deterioração no decorrer deste ano por conta justamente do crescimento da economia. De janeiro a setembro, o rombo das contas externas, por conta também do resultado comercial, subiu 190%, para US$ 35 bilhões. A estimativa do governo é de que o déficit das contas externas baterá recorde em 2010, com um rombo de US$ 49 bilhões, e avançará para um resultado negativo maior ainda em 2011: de US$ 60 bilhões.

    Com isso, o Brasil vai passar a depender de aplicações financeiras (entrada de recursos no país para bolsas de valores e renda fixa) e de empréstimos do exterior para cobrir o rombo das contas externas, uma vez que os investimentos estrangeiros diretos (destinados à produção) devem somar US$ 30 bilhões neste ano, de acordo com estimativa da autoridade monetária.

    Aplicações financeiras são consideradas capital mais "volátil" (pois podem deixar rapidamente o país em caso de turbulências) pelos economistas. Entretanto, especialistas lembram que o Brasil possui mais de US$ 280 bilhões em reservas internacionais em caixa - fator que confere mais tranquilidade para as contas externas brasileiras.