• publicado em 29.10.2010
  • "Indústria brasileira está encolhendo"
  • Diz diretor da Fiesp
  • A atividade industrial brasileira poderia ter um crescimento maior neste ano do que os 11% previstos se o país não tivesse passando por um processo definido por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), como desindustrialização. Ele disse hoje (28) que a demanda interna tem sido atendida em maior peso pelas importações e isso é prejudicial para o mercado doméstico.

    “Se você pegar o crescimento da demanda, e pode fazê-lo até por setores, e comparar com o crescimento de produção da indústria doméstica, vê-se que existe uma taxa de crescimento da demanda superior à taxa de crescimento da produção doméstica. Se a demanda está sendo atendida mesmo com essa taxa superior, está sendo atendida via produção de importados”, disse Francini, ressaltando que há evidências de que “a indústria está folgada” e que poderia produzir mais.

    Apresentando um gráfico que mostra crescimento no volume das importações feitas pelo Brasil, o diretor da Fiesp afirmou que, desde 1994, não se encontrava um quadro como este. “A partir da crise [econômica mundial], [temos] uma curva de evolução das importações que não está dando sinal de acomodação. Ela continua absolutamente ascendente, o que faz com que realmente parte do crescimento de demanda ocorrido na economia brasileira em 2010 tenha sido absorvido e atendido pelas importações.”

    Para o economista, há o risco da indústria diminuir sua participação na produção da riqueza do país, passando seu percentual de contribuição na formação do Produto Interno Bruto (PIB), que está em torno de 15% hoje, para até 12%. Segundo ele, a participação da indústria de transformação no PIB já representou 27% no passado. Francini disse que alguns setores da indústria já foram abandonados em função desse processo.

    Segundo o diretor da Fiesp, a entidade entregará um documento ao futuro presidente com essas questões.

    Agência Brasil