• publicado em 03.05.2010
  • Previsões para o setor de Cana de Acúçar
  • Setor de cana pode crescer menos e com mais qualidade
  • Com previsão de safra recorde para este ano, a produção de cana-de-açúcar no Brasil precisa de mais sustentabilidade, afirmam usineiros. Para eles, o setor, que tem apresentado nos últimos anos um crescimento elevado da safra colhida, precisa se preocupar agora com a melhoria da remuneração do produto.

     

    "Nos últimos três anos, o crescimento não tem sido sustentável. Crescemos 13% ao ano e isso trouxe uma série de dificuldades, como a remuneração inadequada. Regredindo a um crescimento de 7%, 8% (como o registrado em 2009), podemos ter um crescimento sustentável a partir de agora", destaca João Carlos Moraes Toledo, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop).

     

    Em 2009, houve alta de 7% na quantidade de cana colhida. Para a safra 2010/2011, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima alta de 10% em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados dia 29/04.

     

    De acordo com o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única), Antônio de Pádua Rodrigues, o crescimento de 7% na última safra foi, na prática, menor. "Colhemos mais cana, mas em qualidade o crescimento foi zero. As chuvas reduziram a qualidade. A cana esmagada era de baixo teor. (...) Perdemos 8 quilos de açúcar por tonelada de cana esmagada", diz.

     

     

    Governo planeja incentivo a produtor que recuperar área degradada Rodrigues afirmou que a alta dos últimos anos ocorreu devido ao "boom" de investimentos. "Foram abertas 103 usinas entre 2005 e 2009", destaca. "Isso traz pontualmente excesso de ofertas e, consequentemente, depreciação dos preços", diz, explicando que, com o maior número de indústrias, sobrou produto e o preço foi reduzido.

     

    Para o diretor da Única, a solução não passa por controlar a produção, mas sim estimular uma remuneração melhor do produto. "Temos que criar um mercado externo forte para que seja regulador do mercado interno. Não podemos só ter boa remuneração quando falta oferta. Falta uma estrutura reguladora de precificação, existência de bolsa de mercado futuro", destacou Antônio de Pádua Rodrigues.

     

    O diretor da união das indústrias também destaca que nos próximos anos o crescimento do setor deve começar a recuar. Isso porque, explicou, os efeitos da crise financeira internacional começarão a ser sentidos. "A cana é uma cultura que leva alguns anos depois que planta para colher. Se deixa de plantar agora, em quatro anos não terá produto."

     

     

    Melhorias

     

    O pesquisador Décio Gazzoni, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, afirmou que não falta tecnologia para a produção de cana de açúcar. Segundo Gazzoni, o grande problema do setor é o clima - apontado pelo governo como um dos fatores positivos para assegurar um crescimento de 10% na safra 2010/2011.

     

    "O que prejudica é o excesso ou falta de chuva. Em relação ao excesso, não se tem muito o que fazer. Sobre a falta, a Embrapa diz que está em fase de criação de uma variedade de cana que tolera períodos sem chuva. Em cinco anos, devemos ter variedades comerciais à disposição", destacou Gazzoni.