• publicado em 05.03.2018
  • PESQUISA FIESP
  • Rumos da indústria paulista

  • De modo geral, os resultados da pesquisa indicam que a expectativa para o emprego na indústria paulista em 2018 é de recuperação, com um maior número de empresas pretendendo aumentar o seu quadro de empregados e aproveitando o momento para contratar empregados mais qualificados do que os que empregavam antes da crise econômica. Ao mesmo tempo, há perspectiva de aumento da produtividade na indústria paulista, com investimento em automação da produção e melhora de processo produtivo. Embora essa perspectiva possa indicar uma retomada do emprego menor do que a recuperação da produção, ela também pode indicar uma melhora da competitividade da indústria paulista. Ademais, uma consolidação maior da recuperação da produção este ano, abre uma perspectiva de crescimento maior do emprego, já que quase metade das empresas afirmou que está trabalhando com um quadro de empregados enxuto.

     

    O nível de emprego na indústria paulista ainda apresentou retração em 2017, mas há expectativa de melhora em 2018: em 2017, 43,2% das indústrias paulistas afirmaram que reduziram seu quadro de empregados, mas apenas 10,0% pretendem reduzir em 2018. Por outro lado, 16,5% aumentaram o seu número de empregados em 2017, enquanto 24,4% pretendem aumentar em 2018 (Quadro 1).

     

    Depois da forte retração do emprego nos últimos anos, a indústria paulista já está com o quadro de empregados mais ajustado (apenas 10,0% ainda pretendem reduzir em 2018) (Quadro 1). Entre as empresas que ainda estão com excedente de emprego e que pretendem reduzir o quadro em 2018, a justificativa passou da ênfase da adequação a uma menor demanda por seus produtos para uma gama mais diversificada de justificativas, que incluem também o aumento da produtividade e a automação da produção:

     

    Perdeu importância em 2018: redução do número de turnos e redução da área administrativa/comercial foram indicadas por 25,0% e 23,6% das empresas que reduziram seu quadro em 2017, mas passaram a apenas 9,8% das empresas que pretendem reduzir em 2018;

    Ganhou importância em 2018: aumento da produtividade e/ou automação da produção foi indicado por 0,5% em 2017 e 9,8% em 2018 (Quadro 2).

     

    Mesmo entre as empresas que vão manter o quadro mais ou menos estável, embora a justificativa com maior peso continue sendo que ainda não perceberam recuperação da produção que justificasse o aumento (77,1% das que mantiveram estável em 2017 e 74,3% das que pretendem manter em 2018), podemos destacar que ganhou importância em 2018 o aumento da produtividade e/ou melhora do processo produtivo como justificativa para a manutenção do quadro no mesmo nível (1,5% em 2017 e 13,9% em 2018) (Quadro 3).

     

    Já para as empresas que pretendem aumentar o seu quadro de empregados este ano, um fator que ganhou importância em 2018 é a maior segurança jurídica com a reforma trabalhista como justificativa para o aumento (1,2% em 2017 e 8,9% em 2018) (Quadro 4). Estas empresas também esperam aproveitar o momento para contratar empregados mais qualificados do que os que empregavam antes da crise econômica (29,8% das que pretendem aumentar o quadro em 2018) (Quadro 5).

     

    Dados econômicos recentes apontam para a consolidação da recuperação econômica, que deverá ganhar força em 2018. Caso essa recuperação passe a ser sentida pelas empresas, queremos conhecer o seu impacto no emprego. Se houver recuperação da produção em 2018, 44,4% das empresas afirmaram que precisarão ampliar o número de empregados, pois já estão trabalhando com o quadro enxuto (Quadro 6).

     

    Por outro lado, para as empresas que não precisarão alterar muito o quadro de empregados se houver recuperação da produção este ano, temos tanto as empresas que ainda estão com excedente de emprego (42%) quanto as que investiram ou pretendem investir em melhora de processo produtivo (42%) (Quadro 7).

     

    SOBRE A PESQUISA

    A pesquisa tem como objetivo levantar a opinião do empresário industrial paulista sobre a situação do emprego atual e as perspectivas para este ano. Ela abrange as empresas da indústria de transformação no Estado de São Paulo. 509 empresas responderam a pesquisa.

     

    A coleta das informações foi realizada entre os dias 11 e 26 de janeiro de 2018. Foi feita por correio eletrônico com o questionário disponível na Internet. O convite para participar foi enviado a 7.250 empresas. 3

     

    RESULTADOS

    Em 2017, 43,2% das indústrias paulistas afirmaram que reduziram seu quadro de empregados, mas apenas 10,0% pretendem reduzir em 2018. Por outro lado, 16,5% aumentaram o seu número de empregados em 2017, enquanto 24,4% pretendem aumentar em 2018.

    Entre as empresas que ainda pretendem reduzir o quadro de empregados em 2018, houve uma mudança de motivação para as demissões, quando comparamos com os motivos apresentados para a diminuição do quadro em 2017. Redução do número de turnos e redução da área administrativa/comercial deixaram de estar entre os principais motivos indicados pelas empresas para o enxugamento do quadro (indicadas por 25,0% e 23,6% das empresas que reduziram seu quadro em 2017 passaram a apenas 9,8% das empresas que pretendem reduzir em 2018). Por outro lado, ganhou importância em 2018 o aumento da produtividade e/ou automação da produção como justificativa para a redução do quadro (0,5% em 2017 e 9,8% em 2018).

    A maioria das empresas que mantiveram o quadro de empregados mais ou menos estável em 2017 e a maioria das que pretendem fazê-lo em 2018 afirma que ainda não percebeu recuperação da produção que justificasse o aumento do quadro. Essa justificativa permaneceu no mesmo patamar quando comparamos 2017 e 2018 (77,1% e 74,3% respectivamente). No entanto, podemos destacar que ganhou importância em 2018 o aumento da produtividade e/ou melhora do processo produtivo como justificativa para a manutenção do quadro no mesmo nível (1,5% em 2017 e 13,9% em 2018).

    O aumento do portfólio de produtos da empresa foi um fator importante tanto para as empresas aumentaram o quadro de empregados em 2017 quanto para as que pretendem fazê-lo em 2018. Essa justificativa permaneceu no mesmo patamar quando comparamos 2017 e 2018 (32,1% e 25,8% respectivamente). Entre as empresas que marcaram “outros motivos” para explicar o aumento do quadro tanto em 2017 quanto em 2018, praticamente todas apontaram o aumento da demanda.

    Podemos destacar, ao comparar os dois anos, que ganhou importância em 2018 a maior segurança jurídica com a reforma trabalhista como justificativa para o aumento do quadro de empregados (1,2% em 2017 e 8,9% em 2018).

    Entre as empresas que pretendem aumentar o quadro de empregados em 2018, 29,8% esperam contratar empregados mais qualificados que os que empregava antes da crise econômica.

    Uma justificativa importante para as empresas que não pretendem aumentar o emprego em 2018 é que ainda não estão sentindo recuperação da produção. No entanto, dados econômicos recentes apontam para a consolidação da recuperação econômica, que deverá ganhar força em 2018. Caso essa recuperação passe a ser sentida pelas empresas, queremos conhecer o seu impacto no emprego. Assim, perguntamos às empresas qual seria a situação do emprego neste caso.

     Se houver recuperação da produção em 2018, 44,4% das empresas afirmaram que precisarão ampliar o número de empregados, pois já estão trabalhando com o quadro enxuto.

    Para as empresas que não precisarão alterar muito o quadro de empregados se houver recuperação da produção este ano, temos tanto as empresas que ainda estão com excedente de emprego (42%) quanto as que investiram ou pretendem investir em melhora de processo produtivo (42%).