• publicado em 17.07.2015
  • Programa de Proteção ao Emprego
  • MP gera polêmica em diferentes setores
  • Presidente da Airvo/Sindimob de Votuporanga, Adelia Porto, disse que acha perturbador ver sindicatos comemorando a redução do salário

     

    MAÍRA PETRUZ - JORNAL DIÁRIO DE VOTUPORANGA

     

    Durante a última semana, uma proposta do governo para conter a crise nas indústrias gerou comentários desde a sua apresentação. A medida provisória referente ao Programa de Proteção ao Emprego pretende evitar demissões dos trabalhadores por empresas em dificuldades financeiras, permitindo a redução temporária da jornada de trabalho e de salário em até 30%.

    A medida prevê que a União complemente a perda salarial por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador. O Programa valerá até o dia 31 de dezembro de 2016, e o período de adesão das empresas vai até o fim deste ano. A MP 680/2015 foi assinada pela presidenta Dilma Rousseff, após encontro com ministros e representantes de centrais sindicais. Embora passe a valer imediatamente com força de lei, a proposta será analisada e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

    De acordo com o Governo, as contribuições trabalhistas sobre o INSS e o FGTS serão feitas com base no salário complementado, ou seja, 85% do salário original. As adesões ao programa deverão ser definidas por meio de Acordo Coletivo. A empresa também deverá comprovar que passa por dificuldades econômico-financeiras. O valor que será pago pelo governo está limitado a 65% do teto do seguro-desemprego (R$ 1.385,91), ou seja, R$ 900,84.

    Apesar de parecer favorável para alguns setores, a presidente da Airvo/Sindimob de Votuporanga, Adelia Aparecida Porto, coloca-se totalmente contra a medida. Ela afirma que a mesma não irá ajuda-los em nada. “Por dois fatores: primeiro que é um decreto voltado apenas para montadoras, o que não nos afeta. O segundo motivo é que a fonte da crise, a origem dela, não é nem de perto tocada quando se tenta manter empregos de forma artificial, gerando até mesmo uma instabilidade jurídica e formando subempregos”, explica ela.

    Adelia relata que, pessoalmente, acha até mesmo perturbador ver sindicatos de trabalhadores, junto com um partido que se diz defensor dos pobres, comemorando redução de salário. “A crise se originou há mais de uma década quando os governos foram se tornando cada vez mais incompetentes e criando regras cada vez mais absurdas, tornando a vida de pequenas empresas bem difícil. Aumentou-se o consumo artificialmente com empréstimos patrocinados pelo governo, ao mesmo tempo em que se esqueceu da indústria nacional, que passou a viver na inconstância dos burocratas de Brasília. Aumentou-se, também, a máquina governamental que pouco faz pelas pessoas, que ajuda só a eles mesmos, aliás, uma área que deve ser mexida por Dilma caso ela queira realmente resolver essa crise. Cortar gastos dela mesma e de seu governo, isso ela ainda não fez”, disse.

     

    Mobiliário

    Apesar disso, ela relatou com exclusividade à reportagem do Diário de Votuporanga que a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário está mobilizando todas as associações do país para saber se estas são favoráveis ao setor entrar na medida. “É um paliativo, talvez dê alguma sobrevida aos empregos, mas enquanto patrões e funcionários são obrigados a diminuírem em seus salários, o governo federal e deputados aumentam os seus. Me parece um cenário bastante cruel. A pergunta que eu me faço é: os empregos que serão mantidos, serão mantidos por quanto tempo? Quando teremos medidas reais e concretas pra se acabar com a crise de vez?”.

    A presidente da Airvo disse ainda que precisa ler o texto referente à medida exatamente para saber das perguntas técnicas, mas, na sua opinião, a crise certamente durará mais do que até 2016. “O futuro de todo o país está nas mãos e nos melindres dos poderosos”.

    Adelia foi categórica ao afirmar que ela, assim como a Airvo/Sindimob, são favoráveis à indústria, à geração de empregos e a todos que dependem desse enorme mercado de móveis da região. “As empresas de Votuporanga e das mais de 27 cidades associadas são das mais criativas e eficientes de todo o país, e nós seguiremos encarando esse período como um grande desafio, talvez o maior de toda a nossa história. Esse remédio proposto nos parece amargo, e com alcance bastante reduzido, mas seguiremos firmes, sempre pensando e agindo para melhorar a saúde das empresas. Vamos ver os resultados”.



    Link da matéria: http://www.diariodevotuporanga.com.br:7080/2015/index.php?_path=noticias_det&id=18966