• publicado em 07.11.2012
  • Investir em design é desafio
  • Diretor da Airvo/Sindimob participou de Missão à Polônia
  • O diretor da Airvo/Sindimob (Associação Industrial da Região de Votuporanga/Sindicato das Indústrias do Mobiliário), Sérgio Braga, esteve no mês passado em uma Missão à Polônia. Ele e mais alguns empresários de Mirassol conheceram a indústria moveleira polonesa e suas técnicas de comercialização com grandes redes de varejo.
    A viagem teve origem após uma empresa de consultoria da Espanha elaborar um estudo do mobiliário de Mirassol, Votuporanga e região do ABC, identificando uma tendência mundial no varejo focado na Ikea, que é uma líder mundial em quase todos os países que atua. A Ikea já está com escritório em Curitiba fazendo pesquisa de mercado e estudando as leis brasileiras para, provavelmente, num futuro bem próximo, se estabelecer no Brasil.

    Desafio
    O empresário contou que o grupo esteve nas lojas da Ieka, e chegou à conclusão de que os consumidores não querem móvel para durar muito tempo, padrão que ainda existe no Brasil e em demais países. Estes querem que durem no máximo dois anos. 
    Se de um lado existe a exigência de produtos novos por parte do consumidor, as empresas devem investir cada vez mais em oferecer um design moderno e atrativo, mas que seja superado em cada criação, despertando sempre o desejo de troca do móvel. “Esse é o grande desafio da nossa indústria: fazer com que o consumidor deseje trocar, sempre, de móvel, tirando aquele pensamento de que o produto deve ser aquele pro resto da vida”, falou. 
    Na opinião do também empresário, para conseguir inserir este pensamento no consumidor é preciso que haja investimento em design. “Esse será o diferencial em uma indústria vencedora: derrubar preço, ser mais competitivo até com qualidade inferior, mas com design atrativo, para se gerar o desejo de estar sempre trocando o móvel”, falou.
    Braga contou que já teve uma reunião com os diretores da Airvo/Sindimob para apresentar o conteúdo da viagem. “Nesta reunião, surgiu a proposta de investirmos em um Centro de Design Regional, incluindo cidades da nossa região e também de Mirassol. Já foi pedido para o Senai/Cemad agendar uma visita ao Centro de Design de Calçados de Franca, para que possamos ver a metodologia e o conceito que eles trabalham quando fabricam seus produtos”, encerrou. 

    Concorrência
    O grupo que visitou a Ikea também pôde verificar que a concorrência entre as empresas também está acirrada. “É questão de sobrevivência mesmo. Eles consideram a carga tributária alta também, em torno de 30% e a do Brasil é de 37%”, acrescentando que os encargos trabalhistas estão em torno de 40% sobre a folha de pagamento, o que não difere das do nosso país. 
    Braga disse que as lojas da Ikea funcionam como supermercados: o consumidor observa o produto e caso se interessar, o leva para casa. Este é conceito “self decision”, que traduzindo para o português seria “você decide”. “E essa é a proposta da Ikea: o cliente escolhe e leva para casa na hora, não dependendo de chegada de produtos ou prazo para a entrega. O Brasil precisa se preparar para este desafio”, falou.